domingo, 20 de abril de 2014

De uma presença





Passei quase dois anos vendo-o praticamente todos os dias. O Tâmisa.

O rio que definiu o que é Londres. O que é Inglaterra. O que é o mundo.

Sentia-me feliz por poder observar o seu fluxo, de marés misteriosas, guardando o segredos de muitos séculos. De tantas pessoas que já passaram por ali - Tantos amores, tanta ganância, tantos temores. De tantas mudanças e voltas que esse mundo já deu.

Apoiava-me na balaustrada, sentindo a brisa vinda do mar, de tantas léguas longe e ainda com o distinto cheio de sal. Fechava os olhos e ouvia os murmúrios, das águas e das pessoas, e do rio que continua a correr.

Abria os olhos e admirava as pontes, e as construções, que hoje formam a sua moldura.

E isso, mesmo nos piores dos dias, fazia com que eu me sentisse privilegiada.

Hoje, meus caminhos já não cruzam os dele com tanta frequência. E, não consigo negar, que falta, que falta que a presença dele me faz.